Empresa e laboratório do SisNANO desenvolvem embalagem com nanotecnologia contra vírus e bactérias

Uma parceria entre a empresa Anjo Tintas e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) resultou no desenvolvimento de um verniz com nanotecnologia capaz de bloquear tanto a sobrevivência de vírus quanto a proliferação bacteriana em filmes e superfícies plásticas flexíveis, com embalagens de alimentos e sacolas plásticas.

O verniz, da linha Nanoblock®️, foi desenvolvido com suporte técnico do Laboratório de Controles e Processos de Polimerização (LCP), da UFSC, vinculado ao Laboratório Interdisciplinar para o Desenvolvimento de Nanoestruturas (LINDEN), que integra a estrutura do Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNANO).

Os testes de eficácia foram realizados tanto com bactérias, quanto com vírus, incluindo um alphacoronavirus, que é da mesma família do causador da Covid-19, o Sars-CoV-2. Os testes mostraram que o verniz apresentou 99% de eficácia em destruir tanto a parede celular de bactérias quanto a capa proteica de vírus, impedindo a multiplicação desses microorganismos na superfície das embalagens.

Durante o processo de desenvolvimento, os pesquisadores buscaram garantir que o produto fosse seguro para o manuseio de operadores nas fábricas de embalagens, para o consumidor e para o alimento. Além disso, embora o verniz não tenha contato direto com a comida, ele foi produzido de acordo com a resolução da Anvisa que lista as matérias-primas aprovadas e permitidas para embalagens de alimentos.

Já foram fechados alguns contratos com fábricas de embalagens, e a previsão da Anjo Tintas é que os primeiros pacotes plásticos revestidos com o verniz cheguem aos supermercados em 30 ou 40 dias. O nome das companhias que adquiriram o produto ainda não foram reveladas, mas o consumidor poderá reconhecer o produto por meio de um selo Nanoblock ou com a descrição de que se trata de uma embalagem bactericida e antiviral. O padrão de identificação fica a critério de cada empresa.

O SisNANO, uma iniciativa do MCTI, é formado por um conjunto de laboratórios de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em nanociência e nanotecnologia, que tem como característica essencial o caráter multiusuário e de acesso aberto à usuários, públicos e privados, mediante submissão de propostas de projeto ou requisição de serviços. O LINDEN integrou a primeira fase do SisNANO (2013-2018) e faz parte também da segunda fase, iniciada em 2019, cujos laboratórios foram selecionados por meio de Chamada Pública realizada em parceria entre o MCTI e o CNPq.

FONTE: Folha doLitoral

Deixe uma resposta